Sente prazer no trabalho que executa? Sente prazer nas coisas que estuda? Nos livros que lê? Nos filmes que assiste? Nas companhias? Nos esportes que pratica?
Tenho refletido constantemente sobre a vida, e sempre me pergunto: "se me restasse pouco tempo de vida, eu continuaria fazendo as mesmas coisas? O que eu faria de diferente?"
Talvez fizesse as mesmas coisas de uma forma diferente, ou talvez fizesse tudo diferente mas da mesma forma.
Hoje eu estava lendo na internet uma carta escrita por Albert Einstein endereçada ao filho Hans Albert Eistein em 1915. Neste período, Albert Einstein morava em Berlim e escrevia a teoria geral da relatividade, enquanto sua esposa e filhos viviam em Viena.
Hans Albert, então com 11 anos de idade, aprendia a tocar piano, e seu pai lhe escreve essa carta de incentivo, de encorajamento. Albert diz ao filho que nesta idade piano e marcenaria são ótimas coisas a se aprender, mais importantes até mesmo que a escola, e o encoraja a tocar tudo que lhe agrada, mesmo que não seja solicitado pelo professor.
E encerra a carta com um conselho/confissão:
"... Essa é a maneira de aprender mais, quando você
está fazendo algo com tanto prazer que não percebe o tempo passar. As vezes
estou tão envolvido no meu trabalho que esqueço da refeição do meio dia."
Isso me lembra um trecho do famoso discurso realizado por Steve Jobs aos formandos de Standford em 2005.
"... Não sabia o que queria fazer da minha vida e
não entendia como uma faculdade poderia me ajudar quanto a isso. E lá estava eu,
gastando as economias de uma vida inteira. Por isso decidi desistir, confiando
em que as coisas se ajeitariam. Admito que fiquei assustado, mas em retrospecto
foi uma de minhas melhores decisões. Bastou largar o
curso para que eu parasse de assistir às aulas chatas e só assistisse às que me
interessavam."
Nós, sociedade, temos trocado na maior parte do tempo o conhecimento pela informação. Perdemos a oportunidade de desfrutar o prazer da busca e a felicidade da descoberta. É muita quantidade para pouca qualidade.
Perdemos horas e horas na frente do computador, lendo milhares e milhares de informações, das quais não aproveitamos sequer 10%. Enquanto poderíamos estar desfrutando o prazer de viver, de fazer coisas que realmente amamos, ou simplesmente de não fazer nada.
A quem possa interessar, deixo a carta citada na íntegra:
"My dear Albert,
Yesterday I received your dear
letter and was very happy with it. I was already afraid you wouldn’t write to
me at all any more. You told me when I was in Zurich, that it is awkward for
you when I come to Zurich. Therefore I think it is better if we get together in
a different place, where nobody will interfere with our comfort. I will in any
case urge that each year we spend a whole month together, so that you see that
you have a father who is fond of you and who loves you. You can also learn many
good and beautiful things from me, something another cannot as easily offer
you. What I have achieved through such a lot of strenuous work shall not only
be there for strangers but especially for my own boys. These days I have
completed one of the most beautiful works of my life, when you are bigger, I
will tell you about it.
I am very pleased that you find
joy with the piano. This and carpentry are in my opinion for your age the best
pursuits, better even than school. Because those are things which fit a young
person such as you very well. Mainly play the things on the piano which please
you, even if the teacher does not assign those. That is the way to learn the
most, that when you are doing something with such enjoyment that you don’t
notice that the time passes. I am sometimes so wrapped up in my work that I
forget about the noon meal. . . .
Be with Tete kissed by your
Papa.
Regards to Mama."

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